Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Carta à Guidinha

Eu ao contrário de toda a gente tenho pena da Guidinha. Vejamos: a Guidinha vivia feliz no seu grupo de meninas magrinhas e loiras, rodeada de rapazes novitos e de sobrenome pomposo, reinava em todas as festas e fazia frequentemente capa de revistas plenas de Tituxas e Kiduxas e outros nomes de cão igualmente divertidos. Um dia estava a Guidinha na Praia Grande, a disputar folhas de alface com as suas rainhas do biafra enquanto aplaudiam com gritos a performance dos seus moçoilos no jogo de raquetes, quando, chegou a Gorda. A Gorda caminhava tranquila pela praia sem se encolher por ser gorda. Devia ter vergonha, pensaram as meninas das madeixas. Mas não, andava de cabeça erguida e, devia estar louca seguramente, aproximou-se do grupo e cheia de si estendeu-lhes a mão e espetou-lhes dois, volto a repetir dois, valentes ósculos nas trombinhas cheias de base. Tentaram vomitar, tentaram fazer-se de mortas, viraram as costas duas ou três vezes mas a gorda ficava. E de repente, sem que tivessem tempo de reparar, a gorda tinha um lugar. A rapariga não sabia da VIP e da Caras, nem da dieta do limão, nem do dress code das festas de verão, nem de nada do que era interessante na vida desta gente. Comia com gosto e falava do mundo. Gostava da sua sandes de courato e de jogos da bola. Também gostava de livros que não tinham personagens perfeitas cujo maior drama era a escolha do próximo cirurgião plástico. Não usava linguagem de taberneiro como as betas dos livros da MRP mas era muito divertida. Sem que a Guidinha pudesse fazer nada foi perdendo pessoas. Primeiro a Lála, depois a Pitucha e por fim a até a Pipa preferia a companhia da Gorda. Mas o golpe de misericórdia aconteceu quando o Vasco, aquele que também se chamava de Burnay ou lá o que é, lhe disse que estava apaixonado pela Gorda. Sem outro argumento que pudesse usar a Guidinha chamou gorda à Gorda. O Vasco não podia fazer nada estava apaixonado e, coisa sem importância, estava feliz.
A Guidinha ficou com as festas e o tamanho 32. Mas a Gorda lixou-lhe o esquema: agora tinha de trabalhar mais para ter atenção já não lhe bastavam os 40 quilos e o meio palmo de cara.
PS1 a imagem foi roubada, descaradamente à Luna de my corazón
PS2 a Gorda representa, para quem necesssitar de uma explicação, a gaja fixe. aquela que pode não ter o o fisico perfeito, o comportamento ideal e sei lá mais o quê mas tem o encanto. O encanto não se mede nem se explica mas é gigante.

33 comentários:

Me disse...

Excepcional!!!

Se não fosses médica, vocação para outra coisa não te faltava!!!

Rakel disse...

Lindooooooo! Viva a Gordinha (e os gordinhos, também). E já agora, Margarida, vê lá se engordas.

Luna disse...

:)

Guilhim disse...

Lindo!!

dora disse...

Perfeito, perfeito. As magrinhas do Clube da Fome merecem ser "comidas" pela Gorda.

Anónimo disse...

Inside Info, to whom it may concern:

Não são só as personagens da Maggy que falam à taberneiro. A querida é bem capaz de estar numa esplanda, sei lá, na Comporta?, e, para quem queira ouvir, referir-se a determinados meninos da seguinte forma: "Ai querida esse é mto giro, mas não é boa fo...".

A Maggy, é a personagem que aterroriza o universo materno residente em determinadas áreas lisbonenses (as benzocas, para que não haja cá dúvidas) mãe de menino abaixo, vá, dos 35. Fica para a história um putativo episódio, em que a mãe do ex, e a mãe do actual, se encontram. A mãe do actual rosna um: "Pois, já te livraste dela". "Pois foi, querida, agora calhou-te a ti em sorte, que maçada!". Já para não dizer que a avó do neto é vista como a coitadinha.

Então e aquele episódio, em que a Maggy, depois de travar conhecimento com a actual de um seu ex, linda de morrer mas com um nome
banal, e sem sobrenome, publica uma crónica cuja protagonista é uma empregada suburbana de nome igual à actual do ex, destilando fel e ressabia sem igual?

Então e aquele, outro, episódio, ocorrido lá para a Bica do Sapato, ou seria Aya?, em que a Maggy, vislumbrando uma sua "ex-sogra", levanta-se e vocifera um:"Tiaaa, comprei umas maminhas!" - sim, acabara de colocar silicone.

Episódios Maggy, é o que mais há por aí.

Digo, apenas, ter pena do filho.

Paracuca, peço-lhe que, depois de ler, apague este comentário. Apesar de anónimo receio que possa despertar qualquer fúria por parte da Maggy e, convenhamos, não é o tratar-se de um comentário anónimo que me salvaguarda.

P.S. Maggy. A Maggy é tratada entre "amigos" por Maggy.


P.S.2. Em tempos, saiu uma nota na imprensa em que a, pobre, Maggy, assumia saber que quem lhe compra os livros é a tal população suburbana que ela tanto critica. Mesmo assim, não se coibiu de cuspir na população que lhe põe o € na conta. Para além da linhagem, os pais da Maggy trabalham. E a mãe até é uma académica de renome na cena nacional. E uma Senhora.

Miss Dreams disse...

De tudo o que já li por essa blogoesfera fora acerca do texto dessa senhora, só tenho 3 palavras para ti: APLAUDO DE PÉ!

Nz disse...

Ora bem!
E está td dito.
:-)

www.nzlookbook.blogspot.com
(blog de roupas feitas por mim)

To whom it may concerns disse...

Paracuca,


gostou do conteúdo de um certo comentário anónimo?

Muxy-Muxy disse...

Não me surpreendeu to whom it may concerns. A ideia que tenho da senhora é essa mesmo. Mas a senhora tem um filho e, ainda mais importante, tem pais por isso parece-me mais sensato não o publicar.

às outras pessoas obrigada....

Anónimo disse...

:) Genial

Sahaisis disse...

prezada doutora muxy acaba de me fazer perceber uma ou duas coisas que ainda não me tinham ocorrido...em relação à MRP e a mim mesma...grata pela explicação ;)...é que eu sendo uma GORDA nunca me tinha detido a pensar acerca do assunto...

Exquisit disse...

Muito bem!!

Manuela disse...

Muxy, não sei quem é esta gorda, nem é relevante. Agora que ela me parece muito mais interessante que a dita Margarida, não há dúvida. O ex-manorado da M. a Luna e tu e eu, pelos vistos

Agridoce disse...

Muito bom :))

Quando e como eu quiser disse...

Gostei de ler isto. A brincar, a brincar, dizem-se as verdades!

Anónimo disse...

Olá!

Acompanho o seu blog há muito tempo, mas nunca tive coragem de comentar. Mas hoje não resisto. O seu texto é espectacular e retrata na perfeição aquilo que eu penso. Muitos parabéns pela forma como escreve.:)

Beijinhos de uma gordinha

Lena

Sofia disse...

Adoraria ter escrito este texto:))))

Cláudia Martins disse...

Acho chocante o que a MRP escreveu na crónica, a sério!É de um baixo nível, de um preconceito e uma falta de respeito qe nem consigo descrever!Sigo sempre o teu blogue e nunca comentei, mas desta vez tive que o fazer :D O texto está perfeito, eu subscrevo inteiramente o que disseste!
E ainda acrescento que, como gordinha, nunca tive esse tipo de complexos, gosto de me vestir e de me arranjar bem, não digo asneiras a torto e a direito nem "faço xixi de pernas abertas num qualquer beco no Bairro Alto". Visto um 42 e sinto-me tão ou mais sexy do que as magrinhas que a senhora em questão tanto defende!:D
Parabéns dra.Muxy

missk disse...

...gostei do texto, mas creio que combatendo estereótipos de um lado, reforça os do outro...apreciei muito o texto da MRP, até porque me identifico com aquele contexto, mas lá revejo tb os mesmos estereótipos...o facto é que as formas não determinam conteúdos e há magrinhas loiras lindas de morrer que detestam futilidades e com um conteúdo de arrasar; como há gordinhas e menos bonitas fisicamente cujo interior cintila...como tb há as fúteis de ambas as barricadas...que tal deixarmo-nos de competições mínimas? Se a Gordinha se sentir bem consigo própria não tem de roubar algo a alguém para se sentir gente, se tiver, aí, já a coisa muda de figura...

Muxy-Muxy disse...

missK talvez o meu texto não seja suficientemente claro. Admito e desde logo me retrato. Mas passo a explicar: falo do encanto, do que está para além da beleza fisica ou do conteúdo. O encanto como essa característica indefinivel que faz as pessoas desejáveis. A gorda não é necessáriamente gorda, nem magra,nem baixa,nem alta, nem licenciada, nem esperta, nem burra, nem branca nem preta. A "gorda" só é diferente do extereótipo do grupo. A gorda não tem de roubar ninguém, melhor, a gorda não quer roubar ninguém. Esse não querer é aliás o seu charme fundamental.

T disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
T disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
T disse...

Agora mais informada pós-leitura:

Eu conhecia a expressão "dor de corno" aplicada a diversas circunstâncias. Nunca ao facto de uma mulher "gira e boazona" estar ressabiada por ter sido trocada por uma mulher com medidas reais.

Aaaaahh... e outra coisa, a Senhora dita escritora que coloque os olhos no The Biggest Looser. Só para saber se ela acha aquelas mulheres feias e sem interesse.

E posto isto, parece-me que vou destilar um post lá para a minha chafarica.

Pinkk Candy disse...

Muito bom! :)

*

.: SV :. disse...

Maravilhoso!
Adorei a boa carta.

SV

raquel disse...

FENOMENAL!
:)

Ana, Dona do Café disse...

:) E é assim mesmo!

Sabedoria da Guidinha aqui, para quem pediu, é preciso mesmo ler, porque contado ninguém acredita:
http://comunidade.sol.pt/blogs/margaridarebelopinto/archive/2010/09/17/As-gordinhas-e-as-outras.aspx


Lá está, é que, tal como falei no meu blog acerca do assunto, o problema da Guidinha, para além de padecer de ressabianço e falta de nexo é 'a falta de peso' que, juntando à falta de bom senso, respeito e inteligência, torna-se num cromo.

É que, ao pé da Guidinha ainda por cima é facílimo se-se gorda e ainda mais fácil, pelos vistos, é ter nível, pois a senhora não sabe sequer o que isso é,no seu mundo de barbie fantasia.

Susana canhola disse...

Quem me dera ter sido eu a escrever esta carta à guidinha e a outras tantas guidinhas que por aí andam.
Obrigada por este texto, está soberbo.
Parabéns

MJL disse...

Coitada da MRP, tanta ignorância.
Adorei este post :))

Cristina Santos Silva disse...

Paracuca, está espectacular...

Das melhores "bofetadas" que já vi dar à magricela encanzelada.

Adorei!

Anónimo disse...

Texto brilhante Muxy :) T.

Vânia disse...

Nunca comentei, mas hoje em de ser: o texto da MRP mete-me nojo. Verdadeiro nojo. Já saia que a senhora só falava de bacalhau á braz e quecas mal dadas nos livros, mas isto ultrapassa tudo: Nojo.

Bom texto, ainda bem que alguém teve a coragem de comentar aquele esterco.

VN