Numa perambulação pelos meus pensamentos, motivada por coisas escritas blogosfera fora, encontrei um facto sobre o qual me larguei a pensar (não é esse tipo de soltura seus folgazões). O assunto que me intriga é simples. Entre as pessoas que conheço e nalgumas páginas que leio, parece-me haver uma idolatria disparatada a raparigas/mulheres bonitas que se atrevem a ser espertas. Esse elogio parte das próprias e muitas vezes de quem as acompanha. Frases do género “sou uma pessoa mesmo espectacular porque além de ter conseguido acabar um curso ainda tem dois palmos de cara”. A minha pergunta prende-se com a suposta anormalidade disto. Se pertencemos à mesma espécie, se nos deram de comer enquanto crianças, se nos deixaram ir à escola, se temos acesso à informação, então, o mínimo será que tenhamos um QI superior a dois dígitos usando a inteligência que tão uniformemente nos foi oferecida. Desenganem-se. As mulheres bonitas não são geneticamente limitadas no intelecto. Da mesma forma não é nada de especial que uma mulher bonita seja esperta. Não me parece ser razão particular de orgulho. Não me parece fantástico ter um cérebro e fazer uso dele.
Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010
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13 comentários:
Às vezes, com a falta de uso que se vê, até é...
Concordo. Embora deva adiantar que a própria estranheza com a combinação (looks+brains) poderá ser, ela própria, a manifestação de limites a um pensamento complexo. Para não dizer outra coisa...
you go, girl! ;)
pois.
Parabéns ao seu ilustre esposo, senhora!
Mas a teoria "se é bonita deve ser burra" é a que passa na cultura mainstream. Ou, pelo menos, "se é bonita não precisa de ser inteligente". Ainda há dias vi um qualquer episódio do House em que ele dizia à estagiária (ou é médica mas novinha? não sigo a série) que ela, bonita como é, não precisava de ter estudado medicina. Que quem é bonito assim pode ser simplesmente actor ou modelo, não precisa de andar a queimar pestanas para ser médico. E que se ela o fez é porque "is damaged". E a forma como ela reage ao que o House lhe diz confirma, de forma muda, a teoria dele.
Tens toda a razão, mas acho que "o House" também - e muita gente ainda acha extraordinário que outros (ou eles próprios) usem para algo útil o cérebro com que nascemos, especialmente se tivermos os good looks a ajudar!
Não podia concordar mais. Conheço imensas mulheres lindas, inteligentes e bem sucedidas. E mesmo que não sejam lindas (eu não sou), usam a inteligência para fazer sobressair os seus pontos fortes e disfarçar as imperfeiçoes: são giras, têm estilo e são confiantes. Mas a verdade, sabe-se lá porquê, é que as pessoas em geral não esperam que alguém que tenha dois palmos de cara seja esperta e faça, diga ou escreva coisas que façam algum sentido, quanto mais se apliquem nos estudos tendo a população masculina local toda à perna (eu não tinha, foi mais fácil). Aliás, lembro-me de um post (http://paracucaginguba.blogspot.com/2009/09/detesto-posts-intimistas-isto-e-mentira.html , sim, deviam estudar o poder da minha memória) em que falavas da surpresa que muitas pessoas experimentavam quando sabiam que eras médica - "eu sei, all that and brains too, what can i do?!?". Apesar de no fundo e na superfície sabermos que a inteligência não está correlacionada com a beleza, costuma ser uma surpresa agradável conhecer uma pessoa bonita que é inteligente, talvez porque essa pessoa é agradável que por outra coisa qualquer. Daí à idolatração vai uma distância grande... Acredito que as pessoas possam admirar uma mulher pela sua inteligência, pela sua beleza, ou pela sua inteligência e beleza (para as “all that and brains too”). No entanto, duvido sinceramente que alguém admire uma mulher porque além de ser bonita também seja esperta, como se fosse uma proeza ao estilo de misturar àgua e azeite. Quer dizer... só se essa pessoa for feia e burra.
Feiticeira encontraste um post meu antigo. Opá isso assusta-me. É que eu digo muitos disparates. No fundo fico contente que leias com atenção o que escrevo. Beijinhos
Não te assustes!!! Na altura achei imensa piada à expressão e por isso ficou arquivada na minha memória. Por isso, quando vi este post, lembrei-me imediatamente daquilo e não podia deixar de comentar. Além do mais, a minha irmã é médica e é muito gira e não raras vezes as pessoas ficam surpreendidas com a convivência destas duas qualidades numa mesma pessoa. O mais absurdo é que eu conheço imensas médicas giríssimas (dos médicos não posso dizer o mesmo, infelizmente), estudiosas, interessantes e cultas (fora do tema medicina). A pergunta persiste, porque razão nos continuamos a espantar que existam mulheres bonitas e inteligentes?
Eu acho que a grande questão não é haver ou não mulheres lindas e inteligentes - que, obviamente, há. É a necessidade de muitas mulheres se dizerem tudo: lindas, inteligentes, boas e a trabalhar afincadamente para a paz no mundo. Até porque muitas vezes vai-se a ver e quem afirma isto tudo nem faz assim tanto uso do que anda dentro da cabeça. E a afirmação é falsa e só serve para enganar os despistados.
(e isto vem mais em resposta ao último comentário da Feiticeira, que em relação ao post estou mais como a N. ali de cima)
**
menina do portão
Cara Muxy-Muxy:
Não saberia escrevê-lo melhor.
E aposto que além boa escritora também é bonita!
;)
Francamente acho esta questão algo futil, embora muito pertinente dado o peso que tem na sociedade. Particularmente penso que uma coisa nada tem a ver com a outra. Existem pessoas bonitas e burras, feias e inteligentes, bonitas e inteligentes e feias e burras - ou seja há de tudo. A inteligencia, não me parece ser assim uma "coisa" total - uma pessoa inteligente nunca ou é em todas as àreas, assim como uma pessoa bonita também há-de ter algum defeito escondido. Acima de tudo cada um é como cada qual e ainda bem que não há pessoas iguais. O mais importante não é parecer, é pura e simplesmente SER...
Como discorreu um dia Lúcio Séneca: Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas."
E talvez esse mesmo juízo explique um pouco a antinomia que debelou o QI de Brigitte Bardot e de Marilyn Monroe.
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