Na mesma linha intimista do post anterior queria contar-vos uma história. Um destes dias, numa qualquer urgência deste país, um pai zangado tentou partir tudo enquanto chamava nomes bonitos como "minha pequenita prostitutazinha" ou "minha mãezinha de um vitelo fofinho" às pessoas que aí trabalhavam. A indignação do pai prendia-se com, surpresa surpresa, as duas horas de espera a que tinham votado o seu filhote com o nariz cheio de ranho. Se me compadeço com o ranho da criança? Sem dúvida que sim. Se me parece que a criança estaria melhor na sua casinha, no colinho da sua mãe, a beber um chá quentinho, do que no desconforto de urgência, cheia de outros ranhos e maleitas piores? Parece pois. O paizinho que decidiu torturar a criança e insultar quem trabalhava ficará impune. É verdade que a policia de choque apareceu mas também é verdade que o senhor foi para casa. O que mais me impressionou nesta história, além da indignação da minha colega, que jurava a pés juntos não ter outra profissão e declarar tudo o que ganhava no IRS, foi que durante as duas horas a que o digno se senhor se referia, as vacas citadas estavam reanimar uma criança que entrou na sala de emergência em coma.
quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Detesto posts intimistas (isto é mentira) mas eu não me lembrei de outra forma de começar. Adiante. Para que se entenda, quero esclarecer que sou uma defensora, algo fundamentalista, do sistema nacional de saúde (é tudo com letras grandes mas dava trabalho e não me apeteceu). Há um comportamento muito habitual nas pessoas que me conhecem pela primeira vez. Depois das apresentações, começam por se surpreender porque sou médica (eu sei, all that and brains too, what can i do?!?), seguem fazendo-me mil e uma questões - se tiverem filhos então é um mimo - como se depois de um dia de trabalho se aproximasse do agradável continuar em esforço e rematam a coisa insultando-me enquanto membro da classe - os médicos, esses bandidos, com os seus jipes e os seus telemóveis, odeio-vos!!! - e destratando o SNS que é um jovem adulto lindinho e com bastas qualidades. Ora, eu que sou uma rapariga simpática, que fala com toda a gente e de tudo, confesso-vos que isto me cansa. Nos ultimos encontros deste género apeteceu-me mesmo ser malcriada e desatar a cantar a Madalena Iglesias enquanto o meu interlocutor se desfazia em fúria contando a sua ultima passagem por uma urgência e a forma como os doutores, esses estupores, o tinham destratado.
Eu não estou de acordo, e da próxima vez que me quiserem insultar, por favor, não me peçam consultas antes, mete-me nojo. ObrigadoS.
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
domingo, 27 de Setembro de 2009
Sobre as eleições
Raios Partam O Portas PIM!!!! É tudo o que me apetece dizer sobre um país onde tanta gente pensa que bom mesmo era fazer um casting aos emigrantes - ah e tal pareces-te com a Schiffer, então ficas, ah e tal tens a carinha do Forest Whitaker vais para tua terra -, que os pobres, só são pobres porque querem - rendimento minimo porque estás numa fase má da tua vida e precisas de alguma ajuda para vencer os dias, nada disso, se te falta dinheirinho é porque não queres fazer nenhum - , que o amor, só é amor, se for para procriar, que o que falta são castigos e pancada para garantir a segurança e paro por aqui porque receio já não estar a fazer sentido. Estou preocupada, pois estou.
Amanhã este blogue volta aos sapatos e à sua atitude superficial sobre o mundo. Promessa, nada política, da presidente desta ditadura.
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Agora ide e refleti.
Que tendes um fim-de-semana para o fazer. Esta que vos fala estará, à hora em que isto aparecer no ecrã, a trabalhar. A perder tudo o que de bom a vida tinha para lhe oferecer este fim-de-semana. Festarolas boas e divertidas, mamas que falam e geram polémica, sol e outono quentinho e convívio com os amigos que é o que se leva desta vida. Ora bem, amarguras à parte, o que a mim me interessa é que o povo não se perca no seu tempo livre. Sendo sereno este sujeito (o povo) deve abandonar a passividade. Honestamente essa tendência está para lá de ultrapassada e vocês não querem fazer má figura, certo?!. O in agora é intervir. Mesmo que não se saiba o que se faz. Vá lá, confessem, é giro contar aos amigos que se foi votar, que se participa na democracia e, até, que se tem uma opinião. Não tenham vergonha de fazer asneirinhas e votar na manelinha cara equina, no socas nariz de batata ou noutro qualquer por uma razão tão estapafúrdia como achar que o Nuno Melo é giro. Se estiverem mesmo indecisos sugiro que consultem a Bússola para boa orientação. Ficarão a saber o que, efectivamente, pensam. Eu vou ali ao lado atender mais uma ranhoca e decidir, também eu, o que fazer no domingo.
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
A Democracia é
A existência concreta da liberdade. Ora se um marido refere um deputado a quem esposa acha graça (finalmente um barbudo com piada, cheguei a pensar que se tratava de um jovem do CDS ou do PSD pelo modo de vestir e pelo ar beto limpinho) é porque está seguro da sua soberania. Agora digam lá se este jovem não apela ao voto, hã?! Tenho a certeza que mesmo sendo comunista não há-de comer crianças ao pequeno almoço. Não se pense que ando para aqui a fazer campanha, quando nem a minha cabeça está decidida, sei lá eu agora, com esta distância, em quem hei de deitar o voto, cada um julga pela cabeça que tem.E eu de banco
Diz que sexta-feira é o dia. Em que as mamas nº2666 da Soraia Chaves, conhecidas pelos dons da engastrimitia * (não, minha gente, não significa vómito), vão ler, com voz sensual de linha erótica, umas passagens de um qualquer livro de que toda a gente fala. E eu fechadinha a tratar de gente pequena.
Parece que também há uma festarola duma revista que muito aprecio pela linha editorial (bonita conjugação) mas também pelos regabofes que me ofereceu à altura do seu nascimento e do primeiro aniversário. E eu a ver ranhos.
Além disso, é sexta-feira, dia em que o trabalho, e isto é ciência feita, dá pouca saúde à alma.
Tenho a sensação que a vida me anda a fintar. Tudo a acontecer e eu a trabalhar.
* engastrimitia = ventriloquia
Parece que também há uma festarola duma revista que muito aprecio pela linha editorial (bonita conjugação) mas também pelos regabofes que me ofereceu à altura do seu nascimento e do primeiro aniversário. E eu a ver ranhos.
Além disso, é sexta-feira, dia em que o trabalho, e isto é ciência feita, dá pouca saúde à alma.
Tenho a sensação que a vida me anda a fintar. Tudo a acontecer e eu a trabalhar.
* engastrimitia = ventriloquia
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
obsessão 39

"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
Albert Camus
ps: de outra forma enlouquecia com este desiquílibrio climático que nos rouba três meses de 40ºc, noites quentinhas para andar sem casaco, muitos dias de praia e mais coisas.
AH e não é poe é por mas não me apeteceu ir fazer de novo, desculpem tá?!
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Bom fim-de-semana, sim?!?

Aqui vos deixo um postalito de Montignac que, antes que perguntem, Montignac (en occitan Montinhac) est une commune française, située dans le département de la Dordogne et la région Aquitaine. Lá está, é um sítio bem bonito e em francês ainda fica mais. Almoçamos, fará amanhã uma semana, na esplanada de toldo vermelho que se vê ao lado da de toldo verde. Os patos foram comer des frittes avec nous e foi muito bom. Depois ainda fomos a Lascaux. Não se roam de inveja que segunda regresso ao trabalho e, como isto anda tudo doido por causa da gripe, sim não é a peste nem o ébola é só uma gripe, vou ter uns dias negros. Agora vos deixo para ir dar de comer a umas pessoas que apareceram por cá.
Portugal e o capital intelectual
Parecendo um paradoxo quero acreditar que não. Pese embora todas as teorias racistas do século XIX, em que os europeus do sul eram considerados uma raça inferior, por isso menos dotada de brilhantismo intelectual e consequentemente menos capaz, parece-me – estando desvalorizadas e sem sentido genético as diferenças dentro da espécie – que somos um povo competente (vou arrepender-me disto, já a seguir, quando sair de casa e me cruzar com um taxista). Sendo aptos parece-me apenas lógico – isto sou eu, que como se sabe sou opiniosa, mas não gosto de ditar tendências – que nos sintamos envergonhados de ter um dos maiores índices de analfabetismo da Europa, uma das menores taxas de licenciados e acima de tudo de estarmos no pódio da ignorância da união. O capital intelectual de um país é claramente um indicador fundamental do seu nível de desenvolvimento da mesma forma que o nível de conhecimento médio da população alicerça uma possibilidade de crescimento (se algum político me quiser contratar neste momento fique sabendo que me vendo muito caro e não sou a Joana Amaral Dias). Partindo do princípio que não somos geneticamente burros, que temos um ensino tendencialmente – e aqui aproveito para deixar uma crítica às propinas e à falta de fiscalização do ensino privado – gratuito, acessível a todos e abrangente, qual será o nosso problema? A resposta poderia ser simples se me bastasse falar da estupidez natural, característica genética sobejamente conhecida e amplamente distribuída mas eu sou optimista e acho que vou mudar o mundo, lá está, a minha estupidez natural tão bem exibida.
Por pontos:
Desvalorizamos o ensino pagando mal aos professores, destratando a carreira, desvalorizando a formação dos docentes e impedindo a sua continuidade. Um professor que acompanhe uma turma ao longo de três anos faz, seguramente, mais do que um que os conheça de fresco.
Queremos avaliar os professores, não como seria esperado para lhes valorizar o trabalho mas antes para os castigar. Conferindo aos pais (que, perdoem-me a honestidade, não têm formação pedagógica para o fazer) e aos alunos poder para o fazer.
Maltratamos os nossos quadros superiores que estão a tentar educar-se fazendo doutoramentos e trabalho de investigação negando-lhes os direitos mais fundamentais da constituição. Não têm direito a férias pagas, subsídios, contrato ou fundo de desemprego quando terminam as bolsas, quase sempre mixurucas, que lhes são atribuídas. Estamos a desbaratar capital intelectual e a possibilidade de desenvolvimento.
Não me apetece falar mais sobre este assunto que já estou irritada. Vou sair para apanhar sol, comprar uns sapatitos e beliscar qualquer coisa que é o que realmente me interessa.
Por pontos:
Desvalorizamos o ensino pagando mal aos professores, destratando a carreira, desvalorizando a formação dos docentes e impedindo a sua continuidade. Um professor que acompanhe uma turma ao longo de três anos faz, seguramente, mais do que um que os conheça de fresco.
Queremos avaliar os professores, não como seria esperado para lhes valorizar o trabalho mas antes para os castigar. Conferindo aos pais (que, perdoem-me a honestidade, não têm formação pedagógica para o fazer) e aos alunos poder para o fazer.
Maltratamos os nossos quadros superiores que estão a tentar educar-se fazendo doutoramentos e trabalho de investigação negando-lhes os direitos mais fundamentais da constituição. Não têm direito a férias pagas, subsídios, contrato ou fundo de desemprego quando terminam as bolsas, quase sempre mixurucas, que lhes são atribuídas. Estamos a desbaratar capital intelectual e a possibilidade de desenvolvimento.
Não me apetece falar mais sobre este assunto que já estou irritada. Vou sair para apanhar sol, comprar uns sapatitos e beliscar qualquer coisa que é o que realmente me interessa.
Este post é para a Luna e para o que ela tem escrito. You go girl... i'm proud!
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Tour de France
Saímos em direcção a Espanha. Tínhamos combinado ficar em Bibao mas, o guia dizia-nos que San Sebastian é que era, e então foi mesmo. Chegámos ao pôr-do-sol e, sobre a marginal, ficamos varados de espanto. À noite coscuvilhamos as ruas e aprendemos os Pinchos e o vinho. Parola, que só eu, levei meia hora a perceber que era só pegar num prato, escolher, pagar e depois comer. O dia seguinte amanheceu cinzento e, como para Inverno em Agosto chega Portugal, fugimos dali para Biarritz que foi um mimo. Pela primeira vez França pareceu-nos melhor que Espanha. Mais bonito e mais simpático. Agora sabemos por que o sítio é tão famoso. A água do mar é quente (quase, assim tipo Algarve), a gente é pouca e o pessoal é simpático que chega a assustar. Tanta coisa em troco de nada parece, ao português desprevenido, pouco verosímil. Então um empregado de bar, numa esplanada sobre o mar em Biarritz (reparem não é a Praia Verde, não é São Pedro do Estoril – esplanadas que aprecio e frequento – é Biarritz) faz-nos esperar 5 minutos, e, por causa disso, oferece-nos o café. Assusta, certo? Esteve-se bastante bem na praia durante a tarde. Seguimos para norte e começamos a abrir as portas do paraíso. Primeiro foi Mimizan, uma pequenita cidade costeira. Toda lindinha, toda enfeitada de flores, com restaurantes muito bons e baratos, pessoas ainda mais simpáticas, – parecia uma aldeia em que toda a gente se cumprimentava - mercados cheios de cor e maravilha das maravilhas: uma praia gigante, semi-deserta, quase quentinha, com areia tipo-pó-de-talco e ondas num dos extremos e um belo lago, com patos, flores e, roam-se de inveja, LONTRAS, do outro. Dois dias depois, arrastados pelo dever de atender a um marriage des nottres amis, seguimos para o interior. Pensávamos que não era possível mas, ficamos ainda mais enlevados. A região dos Perigords é só, magnífica. Arrancaram as casinhas, os castelos, os jardins, as árvores, os lagos, os bichos, as flores, a comida e a simpatia dos contos de fadas e transplantaram tudo para ali. A princesa e o príncipe éramos nós, claro. Os puristas hão-de dizer que foi tudo ao contrário e que foram antes os escritores que ali se inspiraram, mas, aos puristas, falta-lhes génio. Alojaram-nos numa casinha simpática com piscina e onde os burricos vinham, pela manhã, dizer bom dia. A mim parecia-me que diziam “vou-te matar” mas o Francisco dizia que era “bom dia”, até os beijou para provar que tinha razão.Por fim o casório. Toda a gente contente, os noivos radiantes, as palavras dos amigos que contavam a história de dois franceses, que se conheceram na Áustria, fizeram parar o mundo para se apaixonarem e estavam agora ali a celebrar o amor. Tudo muito bom.
As fotografias estão por baixo é só mexerem o dedinho indicador, ou outro qualquer.
San Sebastian

Lady, may God protect you. Now are we on equal ground.
If I were king, you would be queen.
Please give me a kiss. Fear not!
The sorrows I have suffered for you are worthy of one.
Tradução do poema basco para Inglês. Não consegui em português, lamento, e não traduzo poesia.
By the way a nossa palavra favorita é nafarruaka.
De como se chega de trás das pedras ao primeiro mundo.

Atrás das pedras é referência à minha origem africana, nada de excessos patrióticos lusos por aqui, que eu censuro.
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Eu gosto de ser o centro das atenções, mas:

Fazer a apitar 20 vezes as portas em Barajas e, por isso, ser apalpada violentamente por uma policia antipática com cara de pittbull, não são armas de que precise de me socorrer.
Notar: esta fonte faz com que os pontos do i pareçam acentos
Madrid
Já fui e já voltei e quase nem senti. Verdade verdadinha. Madrid é assim a atirar para o gigantesco. Cidade bonita, que é, e cheia coisas para ver. Eu, que sou uma rapariga com alguma visão, devia ter ido com menos expectativas. Queria ter visto tudo, os museus, as lojas, os restaurantes, o rastro e o que mais houvesse. Com tão pouco tempo corri o Prado e o Carmen Thyssen-Bornemisza, andei pelo Jardim Botânico, experimentei em dois sítios tapas magníficos, aprendi o tinto de verano e repeti e andei pelas ruas com 38ºC. Ficou a faltar quase tudo, só do que levava em programa: o rainha Sofia, a exposição da Annie Leibovitz, as mil e quinhentas lojas, a entrada na Louboutin ou na Manolo, enfim, um mundo de coisas. Por isso tenho de lá voltar.
Ainda assim a viagem foi muito boa. Sobrevivi a um voo lowcost e percebi que aquilo até nem dói. Conheci a Guillim* e a Sandra (já conhecia mas quase não tínhamos falado)e por isso teria valido a pena. Melhor dos melhores vi o meu homem ganhar o prémio de MELHOR COMUNICAÇÃO DO CONGRESSO, quase explodi de orgulho.
* És tão simpática ao vivo como eu te imaginava, sou muito boazinha eu. És bem bonita: tens uns olhos do tamanho do mundo e da côr de um jardim, um sorriso que enche um dia inteiro e deixa-me que te diga uns pés bonitos.
quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Pois sim!!
Ando sorumbática. Ando pois, beiça de meio metro e olhitos assim pró triste. É que o meu homem abalou para Madrid. E eu estou cheia de saudades. Depois vem toda a gente com história do beneficio da distância e da ausência. Que apimentam a relação e que aumentam o amor. Tretas. Eu já morro de saudades dele cada vez que venho trabalhar e, podem estar tranquilos, que de especiarias não sentimos falta. Este tempo interminável que vamos estar longe faz-me mossa. De certeza que me vai aparecer uma borbulha na cara e só não me aumenta a celulite no rabo (ainda são dez buracos mas, obrigado pela preocupação), porque amanhã assim à tardinha vou a voar para os braços dele. Também vou pela primeira vez a Madrid o que é muito bom mas, vou andar pela primeira vez numa companhia Low Cost o que me faz temer pela vidinha.
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
My own Cupid, i would call him Eros but you wouldn't get it,
Is BACK in town, que é como quem diz à blogosfera. Aparece de template feito à medida como se de um fato de saville road se tratasse. O Pedro Mexia foi o primeiro blogger que segui. É meu amigo e faz mais pelo capital intelectual deste país do que a maioria dos orçamentos de estado. Pronto, exagero, mas sou assim, quero lá saber. O Pedrinho é o Maiore e eu se pudesse votava nele. Hei-de lá ir sempre que me lembrar. Muito mais do que ele aqui, porque isto nao lhe interessa. Ou como costuma dizer "não entendo o interesse desses blogues tipo sexo e a cidade", "mas, já fui ao teu duas vezes" isto sempre que o ameaço de morte. Certo que faz rasgados elogios a outras qualidades minhas (a inteligência prática, claro), e por isso mantemos a amizade. Além de que é graças a ele que conheço o Francisco. Ide por favor e aplaudi que este homem tem qualidades raras.terça-feira, 1 de Setembro de 2009
A luz
Não esperem elaborações pseudo - poética - literárias ou artísticas sobre o tema. Deixo isso para os iluminados que, o que mim me interessa são os candeeiros. Não sendo peça de mobiliário que me fascine (o mobiliário em geral não me move, entre a casa e corpinho escolho sempre o segundo para enfeitar). Eu que, há quem diga, tenho uma visão redutora do mundo, deve ser porque sou pequena, divido os candeeiros em dois. Os de baixo e os de cima. Os de cima existem, é a minha teoria, para evitar a morte. Uma mulher chega a casa, já é noite faz de conta, tudo escuro, existe um monstro lá dentro com um faca na mão para nos degolar e, a existência de um interruptor ali mesmo ao pé da porta, permite, visão suficiente, para gritar e salvar o couro. Posto isto não imagino outra utilidade para estes corpos ocupadores de tecto. Emitem uma luz intensa, abrangente e na minha cabeça irritante. Tenho sempre a impressão que me vão cegar e a certeza de que me baralham as ideias. De modo que, ultrapassado o monstro e a faca, corro frenética a ligar as luzes de baixo para terminar o tormento. Chego a apalpar a minha entrada no quarto só para não ter que acender o tecto. Gosto de candeeiros mansinhos, baixinhos, serenos, acolhedores que moram no chão ou em cima de mesas. Tento que os convivem comigo respeitem esta minha opção. De uma forma muito diplomática, negoceio a não utilização dos senhores, além do estritamente necessário. Sempre em situações de vida ou de morte. Normalmente é a gritar ao mesmo tempo que me mando para o chão a cobrir a cabeça “luzes de cima NÃOOOOOOOOOOOOO”.
Hoje descobri que há mais uma pessoa como eu, sinto algum alivio nisto, confesso
Hoje descobri que há mais uma pessoa como eu, sinto algum alivio nisto, confesso
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