Sou consumista confessa... ainda que me considere uma pessoa razoável, ouso até dizer, que sou justa, já que tenho preocupações sociais e cumpro os meus deveres cívicos com um rigor quase matemático (ia dizer militar mas a educação comunista não deixa). Como dizia no princípio, sou gastadeira, consigo sempre, e com riqueza onírica, arranjar razões que ombreiam a sobrevivência para justificar as compras que faço. Não poupo o que devia, ainda que tenha sempre alguma economia, mas também não vivo acima do que posso. É esta segunda parte que me anda a moer a interrogação ultimamente. Comemoro com júbilo as aquisições que, uma ou outra amiga, fazem dentro das minhas fantasias. Pergunto-me, logo a seguir, porque não serei eu capaz de satisfazer caprichos antigos (neste momento tenho a face contristada com dores) e correr a comprar a mala Prada, o relógio da Tag Heuer ou os sapatos Jimmy Choo que, com alguma frequência, ocupam os meus sonhos. Hoje percebi finalmente que tenho a mania parva de converter o dinheiro em horas de trabalho. Faço com que os artigos se traduzam em horas de urgência conferido-lhes valor diferente consoante ocorram ao fim-de-semana ou à noite. Assim sendo, se uma mala Prada custa um número elevado de horas extraordinárias (achavam mesmo que ia dizer quanto ganho à hora, pois), parece-me logo, excessivamente cara. Por isso lhe resisto. Claro que se comprasse menos porcariazinhas na Zara e afins logo me sobrava plaffon para estes mimos. Confesso que serei para sempre uma subdesenvolvida achando que a quantidade ultrapassa, em larga medida, a griffe. Reconhecendo e atribuindo mais valia à qualidade destes produtos não consigo largar o meu passado terceiromundista. Além de que, se trabalhar dá uma rica saúde ao corpo, oferece também, umas intensas dores nas costas.






3 comentários:
Muito bom post :)
Quando comecei a trabalhar, fiquei tão contente por ganhar dinheiro que se visse que disse para mim mesma que iria ter alguns meses de extravagânciazinhas: e lá acontecem viagens 1 ou 2 vezes por mês - que não considero extravagâncias, mas sim uma forma de sobrevivência...e os sapatos, e as novas tecnologias, e os livros aos montes que guardo para ler mais tarde, e casacos compridos de todas as cores e feitios. Mas nada de exuberante tipo Manolos ou malas Prada!Sei que agora fiz um balanço do primeiro semestre e fiquei chocada com os vários milhares de euros que gastei nestes meses...sem ter um único par de Manolos.
Também não vivo acima das minhas possibilidades, porque ainda tenho uma ou outra poupança...mas gastei mesmo muito. Como superar este sentimento de culpa? :)
http://www.wheelessonline.com/ortho/tibial_plafond_fracture
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