domingo, 7 de Junho de 2009

Ah e tal é tudo a mesma coisa e nem vale a pena a chatice.

Eram seis e quarenta e cinco da manhã quando a Paracuca levantou os dez buracos de celulite que lhe enfeitam o real rabo e foi preparar-se para sair de casa. Acordou uma hora mais cedo para ir votar. Sim lindinhos mais do que um dever cívico, votar, é uma obrigação moral. Por respeito à Adelaide Cabete, ao Salgueiro Maia, à Benazir Bhutto e às milhares de pessoas que, querendo, ainda não o podem fazer. Uma manhã bem bonita para fazer a estrada que liga Algés ao Estoril. Mantenho a residência eleitoral no Estoril porque gosto da viagem e porque, dado o espírito de contradição que tão bem me caracteriza, adoro pertencer aos mil eleitores que o PC/PEV mantém no concelho de Cascais. Ah pois, voto na Ilda Figueiredo, é verdade. Assim como em todos os outros candidatos que o PC apresente, e até vos explicava porquê, mas os princípios fundamentais do materialismo dialéctico e a importância da defesa das classes trabalhadoras têm a mesma complexidade, pelo menos para mim, que o metabolismo fosfocálcico dos prematuros e neste momento não me apetece ter trabalho. Pouco me importa que votem no Avô Cantigas – confesso que imagino sempre o Vital Moreira de chapéu na cabeça e viola na mão, a cantarolar o fantasminha constipado no parlamento europeu -, no Paulo Rangel que me lembra sempre uma almôndega peluda, no Nuno não sei das quantas do CDS só porque ele é giro (apesar do estilo beto) ou até mesmo nesse vulto da nossa sociedade com carinha de ser equino que é a Laurinda Alves defensora, entre outras coisas, da prisão para as mulheres que interrompam uma gravidez ou da ilegalidade das uniões entre pessoas do mesmo sexo (fofinha, quiduxinha). Tenho sentimentos confusos sobre o bloco de esquerda por isso invoco aqui a 5ª emenda. Honestamente, magnânime como sou, perdoo-vos tudo isto. O que me faz ter vontade de vos bater é que não exerçam o vosso direito de voto, que não levantem esses cus do sofá para perder cinco minutos da vossa vida a cumprir o vosso dever. É o mínimo senhores.

10 comentários:

Anterus Belchans disse...

Pode não ser o teu melhor post, mas é sem dúvida, o mais bem escrito.

Muito bom.

Francisco Curate disse...

Adoro comunistas que se vão casar calçadas com Louboutin... Whatever! :)

Muxy-Muxy disse...

Anterus Belchans merci...

Meu amor mais lindo, você não seja assim. Eu nunca disse que era comunista, nunca, jamais, fui até, e posso prová-lo, expulsa de todas as aulas de materialismo dialéctico que tive no liceu. Eu voto no PC que é outra conversa. Além de que dada a origem dos louboutin posso jurar que são comunas LOLOL

Rita disse...

Eu já votei. Não me batas.

T. disse...

Só acho que é mais um direito do que dever ou obrigação moral. Enfim, ainda sou pequenina. Muito bem observada a semelhança entre o Rangel e uma almôndega peluda, cara ex-chefe. :)

Ana disse...

obrigação moral sim!! qualquer dia querem votar e... "epá, como não o faziam achámos que não valia a pena gastar dinheiro com campanhas e afins. tudo para bem da nação que se rege melhor sem votos..."

hmmpf, não percebo o custo de ir fazer umas cruz (ou várias, ou nenhuma...)

Carlos Rangel disse...

Perdi 2 minutos e fui votar... em branco :) E valeu a pena! Sempre!

Bjs!

Limba disse...

Mais do que um direito é uma obrigação, um dever nem que se seja por consideração por todos aqueles que no Mundo inteiro ainda não vivem em democracia e não podem votas e por todos os que no nosso país lutaram por um Estado de Direito. É verdade que por vezes parece que não vivemos nele, mas se não votarmos será pior ainda! Estou contigo, Paracuca!

Woman Once a Bird disse...

Tenho exactamente a mesma perspectiva. Acho vergonhoso que em tão pouco tempo de democracia, as pessoas se esqueçam do que significou alguns lutarem tanto para que possam exercer o direito e obviamente dever de votar. É o País que temos.

katiuska disse...

Pois é, também votei no memso que tu e também não percebo porque houve tanta abstenção. Eu era Vice presidente de uma mesa em que existiam 1178 votantes e votaram 153 pessoas. Isto não é normal. Tanto tempo a lutar pela liberdade de escolha e hoje em dia ninguém quer saber...Enfim...