Fiquem desde já tranquilos que eu e meu Francisco estamos bem, recomendamo-nos e esbanjamos felicidade. Abandonem lá esses pensamentos maquiavélicos que dominam frequentemente a vossa mente perversa.
Faz agora um ano que nos entrou pela urgência adentro uma rapariguita que me irritou ao primeiro contacto. Pois que sendo uma internita, vinda de um hospital central que nós não temos em grande consideração - somos arrogantes sim e depois?!?-, em lugar de se apresentar caladita e respeitar a opinião dos crescidos, estava cheia de vontade própria e exigências. Pois que tantos bancos não quero, pois que se TENHO de fazer fins de semana quero só domingos, pois que mais uma série de coisas que já nem me lembro. Além disso ainda apresentava uma pochete como acessório à indumentária claramente abetalhada que ostentava. A dra. Muxy-Muxy, justíssima como é seu apanágio, pensou com os seus botões que tornaria a vida desta criaturinha bastante pouco fácil durante a curta estadia. O tempo foi passando e Dra Patty Pochete foi mostrando como era. Simpática e genuína, entrou-nos no coração, como se fosse fácil . Foi a todos os jantares e convívios e sem que déssemos por isso, era ela que tomava conta da organização de tudo. Tratou da minha prenda de anos, obrigando, os forretas dos outros colegas, a empenhar o couro para que eu fosse ao SPA do Ritz. Quis pôr uma cantora lírica no meu casório e, soubesse eu o que sei hoje, não teria sido semítica. Não bastasse tudo isto, ainda é uma médica de mão cheia, que trabalha como se não houvesse amanhã e faz todas as urgências que lhe pedem. Pelo menos uma vez por ano tira uma licença sem vencimento e vai, sem ganhar um tostão, trabalhar em Moçambique para ajudar populações carenciadas. Já estão todos apaixonados por ela!? Nós também.
Agora a parva vai embora e nós vamos morrer de saudades.
PS1: Não consegui convence-la a abandonar a pochete
PS2: Queria ter escrito uma coisa parecida para a nossa Liunori, que deixou muita saudade, mas à altura achei que era lamechas.
PS3:Vão gozar o sol que há quem não possa.
3 comentários:
Muito bom!
Tive uma história parecida há cerca de dois anos. A pessoa em questão "baldou-se" para a Holanda, e raras vezes a vejo hoje em dia, mas considero-o meu amigo!
Lembro-me de já lhe ter contado várias vezes que desaconselhei a sua contratação porque o tinha achado arrogante e convencido, que iria criar mau ambiente!
Enganei-me... Muito!
O teu lamechas nunca é o, na verdade :) E textos destes são sempre testemunhos bonitos de ter. Faz-nos acreditar que continuam a existir pessoas boas no mundo :) Beijoca
Minha querida, o meu dia foi lindo, lindo.
Quanto à lua de mel, acho que vais adorar o sítio que nós duas escolhemos...
Beijos grandes
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